Essencialismo - Rodney Mutter B.Sc., D.C. | Doutor em Quiropraxia

Essencialismo

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Cresci numa cultura de consumismo. Quando eu era pequeno, esta era uma prática inocente. Morávamos no interior sendo necessário estocar a casa com comida, ferramentas, etc., porque era impossível correr para a cidade a 15 quilômetros de distância cada vez que necessitávamos algo. Com o passar do tempo e a chegada da televisão, fomos impulsionados a consumir mais e, como todos, nos  tornamos reféns do marketing e do lado comercial do nosso mundo.

Passei 10 anos de faculdade com o mínimo de bens materiais e, em muitos momentos, com o mínimo de comida e outras necessidades básicas. Logo após eu me formar, cheguei ao Brasil com duas malas e passei alguns anos com menos do que era necessário. Passei frio na rua e em casa, estava sem roupa de cama e cobertor no inverno. Conforme fui evoluindo com meu trabalho e a renda permitia, fui atrás de mais conforto e mais bens; muitos desses itens sonhei anos em obter. Passei tanto tempo sonhando com o dia em que eu pudesse adquirir mais, que não questionei meu novo hábito de comprar.

Num certo momento percebi no fundo um desconforto que me acompanhava por muito tempo. Demorou um pouco para que eu pudesse dar um nome a isso, mas hoje está claro, me tornei escravo dos meus bens. Mais bens requerem mais manutenção, mais manutenção requer mais trabalho para pagar mais manutenção. Junto a isso veio o seguro para proteger meus bens e, é claro que para pagar este seguro, teria que trabalhar mais, iniciando assim um padrão que tomou conta da minha vida.

Nunca me identifiquei muito com a ideia de minimalismo. Acho pouco prático e não quero sentar todo dia num tronco de árvore enquanto ingiro a comida feita num fogo ao ar livre, nem ficar de cócoras fazendo minhas necessidades atrás de uma árvore no pátio.

Qual será o ponto de equilíbrio entre consumismo e minimalismo? Para mim a solução está na palavra essencialismo.  O que realmente é essencial na minha vida? Isso não pertence somente a bens materiais. Isso pertence também as emoções, compromissos sociais, etc.

Passei os últimos 18 meses dedicado a essa palavra e, todos os dias literalmente, analisando o que é essencial na minha vida. Estou numa campanha de vendas em casa que chegou a assustar minha esposa. Graças a OLX estou me livrando de muita coisa que não cabe mais na minha vida. Reconheço que me passei e acumulei muito mais que o necessário, mas ao invés de me castigar pelo erro, fico feliz de ter enxergado isso e estou curtindo muito a liberdade que vem de não me sentir amarrado mais com minha casa e meus bens materiais. Junto a isso estou me desfazendo de emoções e atitudes que também não me pertencem mais! Ressentimento, raiva, culpa enfim, não quero mais carregar o que não acrescenta nada de positivo na minha vida e o que não é essencial.

Com certeza há pessoas mais evoluídas do que eu neste assunto e, como tudo, é mais uma prática do que uma conquista. Para mim é uma filosofia que está guiando cada vez mais meu dia a dia. Envolve muita disciplina, honestidade e, é claro, desapego, mas vale muito a pena.

Não acho errado viver com conforto e acredito que itens de luxo em alguns momentos trazem ânimo para se focar mais em projetos ou se dedicar mais ao seu trabalho. Não estou sugerindo que não pode mais comprar itens de maior valor. Acredito que o esforço merece recompensa, afinal somos uma raça que responde à recompensa. Também acredito que temos o direito e, as vezes, é importante mesmo gastar um pouco mais para ter qualidade. O que é então? É simplesmente uma questão de não viver com excesso. Quer comprar uma camisa nova? Ótimo, então retire duas do seu armário e doe para alguém. Não compre um roupeiro maior para caber mais coisas, elimine aquilo que você não usa mais. Como tudo, requer um pouco de dedicação.

Liberte-se. Livre-se de tudo que não te pertence mais. Atitudes e bens que não acrescentam nada de positivo na sua vida são simplesmente pesos mortos e estão te impedindo de realizar a vida leve e prazerosa que todos nós merecemos.

Comece simples, descarte uma atitude ou um bem material por dia. Como? Seja ciente das suas emoções e seu ambiente físico. Seja sincero consigo mesmo e elimine aquilo que não é essencial. Bom desapego!

8 respostas para “Essencialismo”

  1. Para nós que somos, diariamente, bombardeados pelo marketing intensivo do consumo, sabemos que “menos é mais”!
    Só que entre saber e mudarmos nossos hábitos, sairmos da nossa zona de conforto e fazer essa transformação necessária para vivermos de acordo com o que acreditamos é que são outros quinhentos. Mas como comentastes no texto: é um exercício diário.
    É como nos livrarmos de algum vício, ou seja, muito difícil. Por isso o passo a passo, as doses diárias até que consigamos, de fato, mudar de nível.
    Parabéns pelo texto. Como muitos outros textos teus que já li, mais uma vez, muito bom!
    Forte abraço.

    • Rodney disse:

      Valeu Marcelo. É difícil mesmo mudar habitos depois de anos de condicionamento, mas é possível sim. Como tudo na vida – basta querer, se focar e fazer. E como tudo que nos tirar fora da zona de conforto, a recompensa vale muito. Forte abraço

  2. Clóris Perito disse:

    Fiquei emocionada em ler tais palavras tão bem colocada.Achamos vc uma pessoa nota mil.
    Temos vc como um amigo muito querido e muito especial.
    Pensamos e compartilhamos da mesma filosofia.
    Abraços fraternos!!!Clorís e Paulo..

  3. Flavio Henzel disse:

    Esse Rodney ta me saindo um grande pensador. So nao gostaria de perder o Nosso Saints Hands para a carreira literaria, mas ja vou adiantando. Se lancares um livro eu comprarei.
    Parabens pelas palavras sabias!

  4. Alex disse:

    Show!
    Parabéns pelo texto, me identifico em vários aspectos ao texto.

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