Pai - Rodney Mutter B.Sc., D.C. | Doutor em Quiropraxia

Pai

Dia dos pais e acordei lembrando que era um dia especial para mim.  É um dos momentos para subir no palco e sentir orgulho no peito em frente ao mundo pela nossa participação na vida dos filhos.

Neste dia, acordei decidido a tirar lucro do dia.  Apertar ao máximo meus filhos, passear com eles na rua (desfilando) e ir além do normal com os desejos deles para que sentissem mais ainda a minha presença.

Meu filho Guilherme, como todo menino saudável, passa a maior parte da sua vida testando, insistindo e questionando os limites com a física, com sua irmã e, com certeza, com os pais.

Neste dia não foi diferente e ele, com cinco anos, não poderia entender a importância de se comportar melhor, para garantir minha paz nesta data especial. Passou a maior parte do dia, desrespeitando, desobedecendo e provocando – um dia normal para meninos saudáveis. Segurei-me muito para não perder a paciência, pois não queria estragar “meu dia”, mas este era mais um desejo meu do que a realidade e, no final do dia, percebi que a maior parte do tempo foi perdida chamando atenção pelos seus erros, tentando educá-lo e ensinando uma melhor forma de conduzi-lo.

Como pai, me sinto muito responsável pela evolução dele, o amor que merece receber, o desenvolvimento do seu caráter, integridade, enfim, tudo que seja necessário para que ele cresça bem.  Mesmo neste dia especial, precisava cumprir meu papel e a necessidade de manter a ordem em casa. Senti certa raiva dele por ter me colocado nesta posição que eu não queria.

Ao deitar com os dois na hora de dormir, continuei brabo com ele e, para mostrar minha indignação com suas ações, disse que não contaria estória (como de costume na hora de dormir) para deixar claro a “mancha” que ele havia deixado no “meu dia especial”.

Ele ficou sentido, sendo que este momento do dia é especial para ele.  Ficou claro que a tristeza dele afirmou que meu castigo fora claramente entendido, apesar de não ser bem recebido.

Deitei entre os dois até pegarem no sono.  Ao levantar da cama para me organizar para dormir, senti um enorme peso no coração.  Ficou tão claro o meu erro.  Passei a maior parte do dia pensando sobre tudo o que ele estava me devendo, mas certamente ele passa boa parte de todos os dias pensando no que eu estou devendo para ele; nos momentos em que ele quer jogar um pouco mais de bola, brincar um pouquinho mais com os carrinhos ou simplesmente me interromper numa conversa para me dar um abraço e lembrar que me adora. Quando ele se sente triste com castigos injustos devido a minha falta de paciência, ou quando não reconheço a importância para ele de algo que para mim parece ser banal.

Ser pai é uma das maiores bênçãos que já recebi na vida.  Amo, curto, adoro e não trocaria por nada, mas misturado a todas essas emoções lindas, vêm inseguranças – culpa, humildade e arrependimentos.  Sei que uma das propostas desta relação é que eu amadureça tanto quanto ele, e como para ele, as lições que vêm são difíceis de engolir.

Ouvi falar que aprendemos a ser filhos quando nos tornamos pais, e pais quando nos tornamos avós.  Rezo todo dia que não seja muito tarde para entender e aplicar as lições, porque amo de paixão, meus filhos, este momento e esta oportunidade que tenho.

Passo a maior parte dos dias agindo com convicção, e a maior parte das noites pensando em tudo que poderia ter feito diferente.

Deixo anexadas aqui palavras de José Saramago que talvez expresse de forma mais eloqüente estas emoções:

“Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado..
Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo! … Eles são do mundo. O problema é que meu coração já é deles.”

2 respostas para “Pai”

  1. Parabéns Rod!
    É isso mesmo que sentimos sendo pais participativos. Somos privilegiados. Aprendemos, sofremos, suamos, nos superamos e por isso tudo eles tem essa imagem que somos seus heróis. Esse nosso exemplo, as nossas atitudes, conceitos, valores… é o que eles levarão consigo pela vida.
    Queira gostamos ou não, de um jeito ou de outro, assim também foi de nossos pais conosco.
    Os maiores arrependimentos de filhos que não tem mais pais são justamente esses pelo fato de não poderem dizer-lhes o quanto foram importantes, o quanto amávamos, o quanto serviram de exemplo para suas vidas.
    Forte abraço.

    • Rodney disse:

      Oi Marcelo,

      Muito bonita as suas palavras! Espero que estejamos presente para muitas décadas para poder curtir eles e ver seu desenvolvimento no mundo. Este fase é muito legal e não ia querer apressar nenhum momento. Mesmo assim, fico curioso quando penso sobre o futuro e as conversas que vão correr quando nos poderemos discutir assuntos com eles como adultos. Um Grande abraço e encontraremos logo, Rodney

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